quinta-feira, 24 de agosto de 2017
ANTÓNIO FERREIRA - POETA PORTUGUÊS
ANTÓNIO FERREIRA – POETA PORTUGUÊS
Vou de Suspiros Todo este Ar Enchendo
Vou de suspiros todo est' ar enchendo,
vou a terra de lágrimas regando,
mais água aos rios, mais às fontes dando,
e com meu fogo em tudo fogo acendo.
E quando os olhos meus, senhora, estendo
para onde o Amor e vós m'estais chamando,
as altas serras em qu' os vou quebrando
da vista me tolher s' estão doendo.
Mas nisto acode Amor, que sempre voa;
eu pelas asas, eu pelo arco o tenho,
té me levar consigo onde desejo.
E jurarei, senhora, que vos vejo,
jurarei qu' essa doce voz me soa.
Nesta imaginação só me sostenho.
António Ferreira, in 'Poemas Lusitanos'
Dos Mais Fermosos Olhos
Dos mais fermosos olhos, mais fermoso
Rosto, que entre nós há, do mais divino
Lume, mais branca neve, ouro mais fino,
Mais doce fala, riso mais gracioso:
Dum Angélico ar, de um amoroso
Meneio, de um esprito peregrino
Se acendeu em mim o fogo, de que indigno
Me sinto, e tanto mais assi ditoso.
Não cabe em mim tal bem-aventurança.
É pouco uma alma só, pouco uma vida,
Quem tivesse que dar mais a tal fogo!
Contente a alma dos olhos água lança
Pelo em si mais deter, mas é vencida
Do doce ardor, que não obedece a rogo.
António Ferreira, in 'Poemas Lusitanos'
ANTÓNIO FERREIRA - POETA PORTUGUÊS
ANTÓNIO
FERREIRA – POETA PORTUGUÊS
Vou
de Suspiros Todo este Ar Enchendo
Vou
de suspiros todo est' ar enchendo,
vou
a terra de lágrimas regando,
mais
água aos rios, mais às fontes dando,
e
com meu fogo em tudo fogo acendo.
E
quando os olhos meus, senhora, estendo
para
onde o Amor e vós m'estais chamando,
as
altas serras em qu' os vou quebrando
da
vista me tolher s' estão doendo.
Mas
nisto acode Amor, que sempre voa;
eu
pelas asas, eu pelo arco o tenho,
té
me levar consigo onde desejo.
E
jurarei, senhora, que vos vejo,
jurarei
qu' essa doce voz me soa.
Nesta
imaginação só me sostenho.
António
Ferreira, in 'Poemas Lusitanos'
Dos
Mais Fermosos Olhos
Dos
mais fermosos olhos, mais fermoso
Rosto,
que entre nós há, do mais divino
Lume,
mais branca neve, ouro mais fino,
Mais
doce fala, riso mais gracioso:
Dum
Angélico ar, de um amoroso
Meneio,
de um esprito peregrino
Se
acendeu em mim o fogo, de que indigno
Me
sinto, e tanto mais assi ditoso.
Não
cabe em mim tal bem-aventurança.
É
pouco uma alma só, pouco uma vida,
Quem
tivesse que dar mais a tal fogo!
Contente
a alma dos olhos água lança
Pelo
em si mais deter, mas é vencida
Do
doce ardor, que não obedece a rogo.
António
Ferreira, in 'Poemas Lusitanos'
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